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Avatar de Fernando França

Quando você citou Bondía e a noção da informação como "antiexperiencia", uma série de ideias desconexas de repente vestiram uniforme e formaram uma fila.

Me deu saudade de uma época - e aqui me dou o "mérito" de ter adolescido na transição do mundo pro digital - em que não tinhamos como saber um fato tão rápido, fosse ele sobre um filme, um acontecimento ou até mesmo algo trivial como de quem diabos era o casarão abandonado da esquina. Voce tecia teorias, não tinha vergonha de compartilhamos e os loucos da sua galera debatiam quem tinha a tese menos louca sobre as coisas.

Você pensava. Você TINHA que pensar. E mesmo quando a verdade vinha dando um sopapo na sua imaginação, havia tempo pra você imaginar. Hoje nao tem.

Claro, saudade em pedaços, né? Um mundo bem informado tem muito mais benesses do que contras.

Ainda assim, dá vontade de estar em um novo espaço-tempo onde nao se precisa ter vergonha de imaginar. Onde não é um crime teorizar absurdos - e, talvez por isso, menos vergonhoso admitir que você errou feio. Que não é tão bom assim nas coisas.

Será que dá pra ter auto controle pra conseguei isso só num pedacinho da vida como a literatura?

Avatar de Bia Montenegro

Fiquei com muitos pensamentos! Eu faço coro ao discurso do mediano porque eu fico de saco cheio das pessoas cheias de dedos para fazer algo além do trabalho,com medo de não ser incrivel. Hobby deveria ser liberado ser ruim, e eu mantenho esse ponto de vista. Porém, quando vi pessoas contestando isso justamente da forma que voce falou, aprofundando no fazer artístico e nas dores do processo, comecei a pensar que isso tudo acontece por causa dessa falta de contexto da Internet. As pessoas pegam um mantra (seja médio!), ficam repetindo à exaustão sem dizer mais nada, e aquilo perde o significado - isso é sobre não se esforçar, ou sobre não ter medo de começar coisas novas? Isso é pra reforçar essa mediocridade do que a gente consome e reproduz, ou pra tirar a pressão esmagadora da performance de todos os aspectos da nossa vida? É o privilégio manifesto ou um pedido de socorro?

E acho que pega mais fundo quando a gente tem o fazer artístico enquanto ofício, porque embora sim, seja bom inicialmente produzir sem medo pra editar depois, existe uma seriedade ali que esse discurso pró ser mediano simplesmente não comporta. Já vi esse vai e volta no notes, pessoas falando 'escreva sem medo!!!! escreva mal!!!' e outras respondendo 'calma lá, tenha autocrítica'. O que mais me pega aqui não é uma posição específica sobre isso, mas essa coisa da repetição do discurso em câmara de eco, slogans repetidos à exaustão, significados completamente esvaziados.

No mais, gostei muito de como você amarrou tudo no texto. Espero que você volte para a aula de improv!

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