Cheguei na Alemanha em dezembro, meu marido veio trabalhar aqui em fevereiro de 2021. Passamos 9 meses e meio separados. Foi difícil e às vezes ainda é. Mas gosto muito de morar em Bayern. Te desejo uma ótima viagem e que seja tudo tranquilo pra você!! Precisando/querendo trocar figurinhas pode falar comigo @marealvares o ig <3
Ei Aline, eu passei por isso e me coloco a disposição pra conversar cobre o que quiser: idioma, clima, carreira, amizades, o que vier. Eu moro na Austria já há quase 6 anos, o marido arrumou o emprego e viemos. Algumas coisas foram bem mais fáceis do que eu imaginava que seria (clima e comida, por exemplo), a gente se acostuma fácil com coisa boa (transporte público e benefícios trabalhistas? chef's kiss!), mas tem coisa que ainda é um problema sim (idioma e a carreira resetada). O dialecto austríaco é bem parecido com o bávaro, vc possivelmente passará raivas parecidas com as minhas. Enfim, tamo aí!
Eu e a Deborah temos vividos coisas incríveis aqui na Alemanha. E conhecido pessoas fantásticas do mundo todo. Nem sempre é fácil, mas é quase sempre incrível. Muito sucesso para a sua família aqui, com certeza serão muito bem vindos :)
Aline, conheço bem essa sensação de sair do país. Morei fora em duas oportunidades, a primeira por 2 meses, para estudar francês no Canadá, a outra por 1 ano para estudar na Inglaterra numa graduação-sanduíche do finado Ciência sem Fronteiras. Das duas vezes eu sabia que ia voltar, mas nem por isso a inquietação com a mudança foi menor. Mesmo na viagem de 2 meses precisei fazer uma verdadeira mudança, levar tudo o que precisasse daqui do Brasil, me adaptar a um novo endereço, clima, costume. Fui com uma amiga e a experiência nos aproximou bastante, embora também tenhamos tido momentos de atrito, foi a primeira vez que nós duas saímos da aba de nossos pais, do conforto de nossas camas, para dividir quarto em uma casa de família cheia de gente estranha que só se alimentava de macarrão sem sal.
Da segunda vez, fui sozinha. Sozinha para morar sozinha em um cubículo com banheiro só meu. No avião, depois das despedidas com a família, comecei a chorar e chorar de medo do que ia encontrar. Medo da viagem em si, de morar sozinha sozinha mesmo, de não fazer amigos, de não saber me alimentar direito, de não dar conta do curso, de o meu inglês não ser tão foda quanto eu sempre achei que fosse. Long story short, adorei morar sozinha sozinha mesmo, amei meu cubículo, fiz amigos, aprendi a cozinhar e encontrei prazer em comprar e fazer comidas para mim, dei conta do curso e quando achei que não ia dar, soube a quem pedir ajuda (depressão sazonal aqui não, tratei de achar uma terapia oferecida pela universidade) e me virei muito bem no inglês, e até no francês quando me aventurei para fora da ilha.
Durante as férias, fiz minha primeira viagem sozinha e foi justo para a Alemanha (ta bom que de 5 dias, 2 eu passei em companhia de amigos que estavam por lá tb, mas o planejamento, a acomodação, a ida e a volta foram todas solitárias). Descobri que não era tão fácil encontrar alemães que sabiam inglês ou eram disponíveis a falar em inglês (francês menos ainda!), mesmo em Berlim, mesmo em áreas turísticas (talvez eu tenha tido azar), mesmo no metrô (comprar o bilhete certo na máquina de autoatendimento foi um desafio). Descobri que o verão alemão pode ser inclemente e que sorvete é uma refeição perfeitamente aceitável nessas condições. Também descobri que eu tenho alergia a pólen ou qualquer outra coisa que povoe o ar europeu na primavera e no verão, pq as minhas crises de espirro em Amsterdam e Berlim foram de outro mundo, até então nunca tinha tomado antialérgico na vida. Acabei trazendo a alergia pro Brasil.
Em Berlim, me encantei com o Tiergarden, a ilha dos museus com artefatos incríveis roubados do mundo todo, os conjuntos habitacionais que atravessei por engano e que poderiam muito bem compor uma paisagem brasileira, o tram (VLT, para os cariocas) e os salsichões de 1 euro que eu comia de almoço todos os dias, comprados de homens altos que corriam com uma grelha nas costas pelos arredores do Portão de Brandenburgo e da Alexanderplatz.
No fim das contas, o que eu mais gostei da minha viagem a Berlim e que ficou comigo mesmo quase 10 anos depois foi a liberdade que eu encontrei nessa viagem. A liberdade de viajar sozinha, escolher o que fazer e comer, e até mesmo escolher não fazer nada, só andar sem rumo olhando as coisas, ouvindo as pessoas, tentando decifrar o idioma desconhecido, buscando ideias pra escrever.
Anos depois dessa viagem e desse período privilegiado de intercambista bancada pelo governo, conheci um alemão de Munique (olha só!) pelo qual me apaixonei perdidamente durante os 3 dias de carnaval que passamos juntos e que foi o motivo de eu ter decidido aprender alemão (a sereia troca a voz por pernas, eu troquei meu dinheiro por aulas de idioma). O alemão me deu ghosting mas o estudo de alemão me reconectou com a paixão por aprender coisas novas, me lembrou que a gente não trabalha só pra pagar contas e comprar coisas, mas também para financiar experiências e foi a partir do redescoberto gosto pelo estudo que eu investi num certo curso de escrita de newsletters da Domestika e passei a encarar a escrita como um ofício que eu preciso praticar, aprimorar, estudar. Não só um hobby de horas vagas.
Mas tudo isso pra dizer que a gente sempre fica apreensivo com a mudança e com a perspectiva do novo, mas quando a gente se permite e vai com tudo as oportunidades se abrem uma atrás da outra. Já consigo ver seu próximo livro nascendo a partir de todas as experiências diferentes e novas que você invariavelmente vai viver, do choque cultural à proximidade de conflitos geopolíticos, de episódios de xenofobia (há sempre esse risco, fui alvo de xenofobia na Inglaterra só por falar português em voz alta) a momentos de solidão e saudade de casa, tudo isso vai ser combustível para novas histórias e projetos que mal posso esperar para ler.
Antes de encerrar essa carta gigante, quero agradecer por tudo o que você escreve e dizer que suas cartas sempre me despertam reflexões enormes que eu quase sempre deixo apodrecer nos rascunhos do email, essa é a primeira resposta que tenho coragem de te mandar. Espero que eu tenha dito algo de útil ou valioso!
Ainda não saí, mas fiquei curiosa sobre como vocês estão encarando os acontecimentos na Europa já nas portas de partir do Brasil. Isso afetou em algum planejamento?
Aline, não tive a experiência de viver em um outro país. Vim aqui te desejar boa sorte e dizer que estou torcendo por vcs nessa nova fase! Boa viagem e vamo que vamo! Um beijo, @keshi
Há 18 anos vivo fora. Vai ser interessante ver como essa vivência afetará sua escrita. Estaremos acompanhando. No meu caso, que decidi escrever depois de estar fora do Brasil, sempre fico na dúvida se devo escrever em inglês ou português. Meus primeiros cursos de escrita foram em inglês e há um mês terminei o seu curso no Domestika. O primeiro em português. De lá nasceu minha newsletter “milhas ou quilômetros”, que fala dessa diferença entre países e culturas. (https://tinyletter.com/rogercazelato). Dos três textos, dois são dedicados às diferenças de idioma. Te convido à ler todos.
"E que bagunça fica a biblioteca mental quando se abre espaço para instalar um novo idioma."
Adorei essa imagem. Moro em outro idioma há 3 anos (o Português europeu é uma língua diferente mesmo não sendo), e trabalho no Brasil traduzindo de/para inglês, e, como se já não fosse bagunça suficiente na biblioteca mental, do ano passado pra cá o sueco entrou na mistura, com direito a temporada de imersão de mês e meio em Malmö e curso que segue intensivo com 3 horas por dia, 5 dias por semana. Tudo isso graças à possibilidade de estar em muitos lugares ao mesmo tempo que a internet abre. Boa sorte na sua jornada!
Estou passando pelo mesmo processo, mas aqui o mozão encontrou emprego na Holanda. Acho que vou ter pesadelos com cartório pro resto da vida. Boa sorte pra gente, quem sabe nos esbarramos na zoropa ;)
Nossa, que loucura. Estou ensaiando sair do Brasil por um tempo e me deparo com essa news hoje. Ver que os sentimentos se misturam e que são parecidos com de tantas pessoas dá um calorzinho bom no coração. Boa viagem e muita luz no seu caminho!
Minina, nem te conheço, mas me vi clicando nos comentários pra te desejar boa sorte.
Vc fez parte das minhas leituras esses anos e foi tão legal receber suas newsletters. Eu sou dessas que acredito que temos que elogiar mais as pessoas e fazer com que elas saibam que são importantes pra gente (mesmo sendo uma parte tão pequena da nossa vida - e que não deixa de ser importante, né? Afinal vc tira um tempo do seu dia pra escrever, editar e mandar).
Eita Aline!!! Mudar de país é sempre um turbilhão mesmo, mas você vai conseguir. O que não vai te faltar são leitores dispostos a dar uma mãozinha e dicas, certeza! <3
Da minha parte, não conheço a Alemanha, mas posso te adiantar algumas coisas que sei que são universais na experiência europeia:
- burocracia aqui é nível profissional, não é como o nível mediano do Brasil não. A gente acha que a nossa é terrível, mas é pq não conhece a daqui! Europeu aaaamaaa uma papelada, uns carimbos, uns pedidos sem sentido... recomendo sempre, sempre, confirmar as informações todas em 3 fontes diferentes, de preferência uma delas em escrito por alguma autoridade, pq se o funcionário q te atender decidir q não vai te ajudar, não há força na Terra q convença a criatura. Muitas vezes, desligar o telefone e ligar de novo, ou sair do local e tentar outro pra ser atendida por alguém com humor melhor é a única solução.
- Europeus em geral são mais fechados, não fazem amizade com facilidade. É o jeito deles, e eles já estão em casa, com os amigos q conheceram anos e anos atrás. Quem tá sem rede de segurança, tendo q recriar rede de amigos somos nós, imigrantes. Então demora mesmo para eles se abrirem. Começar com umas amizades com outros imigrantes é a melhor forma de não cair na solidão comum da experiência. E insistir em amizades locais vale a pena tb! Uma vez q eles se abrem são uns queridos <3
- Se prepare para ficar doente, mas assim, BEM doente, no primeiro inverno. O nosso corpo não tá acostumado com o clima europeu e sempre se rebela com a mudança. Depois do primeiro inverno as coisas melhoram bastante.
- falando em inverno, se acostumar com a diferença de luz tb é algo q ninguém me avisou q ia me afetar demais! Dias super longos no verão são confusos e estragaram meu ciclo circadiano, dias super curtos no inverno me deram depressão sazonal por falta de vitamina D e quase nunca ver o sol... uma daquelas luzes de UV ajudam bastante.
- além disso: lençóis, cobertores e roupas polares = vida quentinha no inverno
- ter um grupo de amigos confiáveis q tb não têm família por perto e criar uma rede de segurança com eles ajuda e muito em apertos: trocar dicas, reclamações, tirar dúvidas, tomar um café e falar português com alguém, ter um grupo pra se reunir na época de festas e diminuir a saudade de casa... até mesmo assinar documentos e emprestar dinheiro em casos de mais confiança. Já fiz e continuo fazendo com os meus amigos daqui de Portugal. Já me salvaram de MUITO perrengue cabeludo. São minha família fora de casa <3
Por enquanto deixo essas dicas aí, se quiser conversar mais a respeito, estou à disposição ;)
Primeiro de tudo quero te desejar muita sorte na sua nova jornada.
Eu me mudei há pouco mais de 5 meses para Barcelona e ainda estou tentando me adaptar. A língua, com certeza é uma grande barreira para mim, apesar do espanhol ser algo com que a gente tem mais familiaridade e consegue se virar.
Minha principal dificuldade no começo (e ainda é, confesso) criar diálogos mais profundos que vão além das circunstâncias triviais. E isso pode causar uma certa solidão e uma falta de pertencimento.
Aqui na Espanha eles tem uma expressão que tem tudo a ver com esse processo que eu estou passando e que você vai vivenciar logo mais: "poco a poco". É de passo em passo que você vai descobrir como se adaptar nessa nova vida.
Não vou dizer que é um caminho cheio de flores o tempo todo, mas com certeza é uma experiência que molda a gente e nos ajuda a resgatar o que de fato importa.
Cheguei na Alemanha em dezembro, meu marido veio trabalhar aqui em fevereiro de 2021. Passamos 9 meses e meio separados. Foi difícil e às vezes ainda é. Mas gosto muito de morar em Bayern. Te desejo uma ótima viagem e que seja tudo tranquilo pra você!! Precisando/querendo trocar figurinhas pode falar comigo @marealvares o ig <3
Ei Aline, eu passei por isso e me coloco a disposição pra conversar cobre o que quiser: idioma, clima, carreira, amizades, o que vier. Eu moro na Austria já há quase 6 anos, o marido arrumou o emprego e viemos. Algumas coisas foram bem mais fáceis do que eu imaginava que seria (clima e comida, por exemplo), a gente se acostuma fácil com coisa boa (transporte público e benefícios trabalhistas? chef's kiss!), mas tem coisa que ainda é um problema sim (idioma e a carreira resetada). O dialecto austríaco é bem parecido com o bávaro, vc possivelmente passará raivas parecidas com as minhas. Enfim, tamo aí!
Aline, faz uma boa viagem, que seja uma grande aventura!
Eu e a Deborah temos vividos coisas incríveis aqui na Alemanha. E conhecido pessoas fantásticas do mundo todo. Nem sempre é fácil, mas é quase sempre incrível. Muito sucesso para a sua família aqui, com certeza serão muito bem vindos :)
Aline, conheço bem essa sensação de sair do país. Morei fora em duas oportunidades, a primeira por 2 meses, para estudar francês no Canadá, a outra por 1 ano para estudar na Inglaterra numa graduação-sanduíche do finado Ciência sem Fronteiras. Das duas vezes eu sabia que ia voltar, mas nem por isso a inquietação com a mudança foi menor. Mesmo na viagem de 2 meses precisei fazer uma verdadeira mudança, levar tudo o que precisasse daqui do Brasil, me adaptar a um novo endereço, clima, costume. Fui com uma amiga e a experiência nos aproximou bastante, embora também tenhamos tido momentos de atrito, foi a primeira vez que nós duas saímos da aba de nossos pais, do conforto de nossas camas, para dividir quarto em uma casa de família cheia de gente estranha que só se alimentava de macarrão sem sal.
Da segunda vez, fui sozinha. Sozinha para morar sozinha em um cubículo com banheiro só meu. No avião, depois das despedidas com a família, comecei a chorar e chorar de medo do que ia encontrar. Medo da viagem em si, de morar sozinha sozinha mesmo, de não fazer amigos, de não saber me alimentar direito, de não dar conta do curso, de o meu inglês não ser tão foda quanto eu sempre achei que fosse. Long story short, adorei morar sozinha sozinha mesmo, amei meu cubículo, fiz amigos, aprendi a cozinhar e encontrei prazer em comprar e fazer comidas para mim, dei conta do curso e quando achei que não ia dar, soube a quem pedir ajuda (depressão sazonal aqui não, tratei de achar uma terapia oferecida pela universidade) e me virei muito bem no inglês, e até no francês quando me aventurei para fora da ilha.
Durante as férias, fiz minha primeira viagem sozinha e foi justo para a Alemanha (ta bom que de 5 dias, 2 eu passei em companhia de amigos que estavam por lá tb, mas o planejamento, a acomodação, a ida e a volta foram todas solitárias). Descobri que não era tão fácil encontrar alemães que sabiam inglês ou eram disponíveis a falar em inglês (francês menos ainda!), mesmo em Berlim, mesmo em áreas turísticas (talvez eu tenha tido azar), mesmo no metrô (comprar o bilhete certo na máquina de autoatendimento foi um desafio). Descobri que o verão alemão pode ser inclemente e que sorvete é uma refeição perfeitamente aceitável nessas condições. Também descobri que eu tenho alergia a pólen ou qualquer outra coisa que povoe o ar europeu na primavera e no verão, pq as minhas crises de espirro em Amsterdam e Berlim foram de outro mundo, até então nunca tinha tomado antialérgico na vida. Acabei trazendo a alergia pro Brasil.
Em Berlim, me encantei com o Tiergarden, a ilha dos museus com artefatos incríveis roubados do mundo todo, os conjuntos habitacionais que atravessei por engano e que poderiam muito bem compor uma paisagem brasileira, o tram (VLT, para os cariocas) e os salsichões de 1 euro que eu comia de almoço todos os dias, comprados de homens altos que corriam com uma grelha nas costas pelos arredores do Portão de Brandenburgo e da Alexanderplatz.
No fim das contas, o que eu mais gostei da minha viagem a Berlim e que ficou comigo mesmo quase 10 anos depois foi a liberdade que eu encontrei nessa viagem. A liberdade de viajar sozinha, escolher o que fazer e comer, e até mesmo escolher não fazer nada, só andar sem rumo olhando as coisas, ouvindo as pessoas, tentando decifrar o idioma desconhecido, buscando ideias pra escrever.
Anos depois dessa viagem e desse período privilegiado de intercambista bancada pelo governo, conheci um alemão de Munique (olha só!) pelo qual me apaixonei perdidamente durante os 3 dias de carnaval que passamos juntos e que foi o motivo de eu ter decidido aprender alemão (a sereia troca a voz por pernas, eu troquei meu dinheiro por aulas de idioma). O alemão me deu ghosting mas o estudo de alemão me reconectou com a paixão por aprender coisas novas, me lembrou que a gente não trabalha só pra pagar contas e comprar coisas, mas também para financiar experiências e foi a partir do redescoberto gosto pelo estudo que eu investi num certo curso de escrita de newsletters da Domestika e passei a encarar a escrita como um ofício que eu preciso praticar, aprimorar, estudar. Não só um hobby de horas vagas.
Mas tudo isso pra dizer que a gente sempre fica apreensivo com a mudança e com a perspectiva do novo, mas quando a gente se permite e vai com tudo as oportunidades se abrem uma atrás da outra. Já consigo ver seu próximo livro nascendo a partir de todas as experiências diferentes e novas que você invariavelmente vai viver, do choque cultural à proximidade de conflitos geopolíticos, de episódios de xenofobia (há sempre esse risco, fui alvo de xenofobia na Inglaterra só por falar português em voz alta) a momentos de solidão e saudade de casa, tudo isso vai ser combustível para novas histórias e projetos que mal posso esperar para ler.
Antes de encerrar essa carta gigante, quero agradecer por tudo o que você escreve e dizer que suas cartas sempre me despertam reflexões enormes que eu quase sempre deixo apodrecer nos rascunhos do email, essa é a primeira resposta que tenho coragem de te mandar. Espero que eu tenha dito algo de útil ou valioso!
Abraço!
Luiza
Ainda não saí, mas fiquei curiosa sobre como vocês estão encarando os acontecimentos na Europa já nas portas de partir do Brasil. Isso afetou em algum planejamento?
Aline, não tive a experiência de viver em um outro país. Vim aqui te desejar boa sorte e dizer que estou torcendo por vcs nessa nova fase! Boa viagem e vamo que vamo! Um beijo, @keshi
Há 18 anos vivo fora. Vai ser interessante ver como essa vivência afetará sua escrita. Estaremos acompanhando. No meu caso, que decidi escrever depois de estar fora do Brasil, sempre fico na dúvida se devo escrever em inglês ou português. Meus primeiros cursos de escrita foram em inglês e há um mês terminei o seu curso no Domestika. O primeiro em português. De lá nasceu minha newsletter “milhas ou quilômetros”, que fala dessa diferença entre países e culturas. (https://tinyletter.com/rogercazelato). Dos três textos, dois são dedicados às diferenças de idioma. Te convido à ler todos.
Estamos aqui torcendo por sua mudança!
Rogério
"E que bagunça fica a biblioteca mental quando se abre espaço para instalar um novo idioma."
Adorei essa imagem. Moro em outro idioma há 3 anos (o Português europeu é uma língua diferente mesmo não sendo), e trabalho no Brasil traduzindo de/para inglês, e, como se já não fosse bagunça suficiente na biblioteca mental, do ano passado pra cá o sueco entrou na mistura, com direito a temporada de imersão de mês e meio em Malmö e curso que segue intensivo com 3 horas por dia, 5 dias por semana. Tudo isso graças à possibilidade de estar em muitos lugares ao mesmo tempo que a internet abre. Boa sorte na sua jornada!
Vai ser legal. 🙂 Eu fui para Estocolmo há 7 anos atrás e quando vejo assim escrito parece coisa de outra pessoa - sim, a gente se torna outra mesmo.
A mudança sempre inspira a escrita e eu já estou curiosa para ver como a tua vai ser impactada.
Tudo de bom nessa grande sacudida!
E precisando trocar uma ideia, tô sempre empolgada para falar sobre imigração ❤
Estou passando pelo mesmo processo, mas aqui o mozão encontrou emprego na Holanda. Acho que vou ter pesadelos com cartório pro resto da vida. Boa sorte pra gente, quem sabe nos esbarramos na zoropa ;)
Nossa, que loucura. Estou ensaiando sair do Brasil por um tempo e me deparo com essa news hoje. Ver que os sentimentos se misturam e que são parecidos com de tantas pessoas dá um calorzinho bom no coração. Boa viagem e muita luz no seu caminho!
Bem-vinda à Alemanha.
Minina, nem te conheço, mas me vi clicando nos comentários pra te desejar boa sorte.
Vc fez parte das minhas leituras esses anos e foi tão legal receber suas newsletters. Eu sou dessas que acredito que temos que elogiar mais as pessoas e fazer com que elas saibam que são importantes pra gente (mesmo sendo uma parte tão pequena da nossa vida - e que não deixa de ser importante, né? Afinal vc tira um tempo do seu dia pra escrever, editar e mandar).
Bom, boa sorte (finge que tá escrito em alemão).
Esperaremos vc por aqui =))
Eita Aline!!! Mudar de país é sempre um turbilhão mesmo, mas você vai conseguir. O que não vai te faltar são leitores dispostos a dar uma mãozinha e dicas, certeza! <3
Da minha parte, não conheço a Alemanha, mas posso te adiantar algumas coisas que sei que são universais na experiência europeia:
- burocracia aqui é nível profissional, não é como o nível mediano do Brasil não. A gente acha que a nossa é terrível, mas é pq não conhece a daqui! Europeu aaaamaaa uma papelada, uns carimbos, uns pedidos sem sentido... recomendo sempre, sempre, confirmar as informações todas em 3 fontes diferentes, de preferência uma delas em escrito por alguma autoridade, pq se o funcionário q te atender decidir q não vai te ajudar, não há força na Terra q convença a criatura. Muitas vezes, desligar o telefone e ligar de novo, ou sair do local e tentar outro pra ser atendida por alguém com humor melhor é a única solução.
- Europeus em geral são mais fechados, não fazem amizade com facilidade. É o jeito deles, e eles já estão em casa, com os amigos q conheceram anos e anos atrás. Quem tá sem rede de segurança, tendo q recriar rede de amigos somos nós, imigrantes. Então demora mesmo para eles se abrirem. Começar com umas amizades com outros imigrantes é a melhor forma de não cair na solidão comum da experiência. E insistir em amizades locais vale a pena tb! Uma vez q eles se abrem são uns queridos <3
- Se prepare para ficar doente, mas assim, BEM doente, no primeiro inverno. O nosso corpo não tá acostumado com o clima europeu e sempre se rebela com a mudança. Depois do primeiro inverno as coisas melhoram bastante.
- falando em inverno, se acostumar com a diferença de luz tb é algo q ninguém me avisou q ia me afetar demais! Dias super longos no verão são confusos e estragaram meu ciclo circadiano, dias super curtos no inverno me deram depressão sazonal por falta de vitamina D e quase nunca ver o sol... uma daquelas luzes de UV ajudam bastante.
- além disso: lençóis, cobertores e roupas polares = vida quentinha no inverno
- ter um grupo de amigos confiáveis q tb não têm família por perto e criar uma rede de segurança com eles ajuda e muito em apertos: trocar dicas, reclamações, tirar dúvidas, tomar um café e falar português com alguém, ter um grupo pra se reunir na época de festas e diminuir a saudade de casa... até mesmo assinar documentos e emprestar dinheiro em casos de mais confiança. Já fiz e continuo fazendo com os meus amigos daqui de Portugal. Já me salvaram de MUITO perrengue cabeludo. São minha família fora de casa <3
Por enquanto deixo essas dicas aí, se quiser conversar mais a respeito, estou à disposição ;)
Beijos e boa mudança!
Oi Aline,
Primeiro de tudo quero te desejar muita sorte na sua nova jornada.
Eu me mudei há pouco mais de 5 meses para Barcelona e ainda estou tentando me adaptar. A língua, com certeza é uma grande barreira para mim, apesar do espanhol ser algo com que a gente tem mais familiaridade e consegue se virar.
Minha principal dificuldade no começo (e ainda é, confesso) criar diálogos mais profundos que vão além das circunstâncias triviais. E isso pode causar uma certa solidão e uma falta de pertencimento.
Aqui na Espanha eles tem uma expressão que tem tudo a ver com esse processo que eu estou passando e que você vai vivenciar logo mais: "poco a poco". É de passo em passo que você vai descobrir como se adaptar nessa nova vida.
Não vou dizer que é um caminho cheio de flores o tempo todo, mas com certeza é uma experiência que molda a gente e nos ajuda a resgatar o que de fato importa.
Um super beijo!