31 Comentários
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Avatar de Allana Dilene

Eu votei errado 🫠

Avatar de Aline Valek

Só posso te dizer OBRIGADA

Avatar de Mariana Coutinho

Adorei a reflexão sobre ser mediano, Aline. Era um discurso que me incomodava em algum lugar tb mas nunca tinha parado pra pensar no porquê. E obrigada por citar meu texto <3

Avatar de Fernando França

Quando você citou Bondía e a noção da informação como "antiexperiencia", uma série de ideias desconexas de repente vestiram uniforme e formaram uma fila.

Me deu saudade de uma época - e aqui me dou o "mérito" de ter adolescido na transição do mundo pro digital - em que não tinhamos como saber um fato tão rápido, fosse ele sobre um filme, um acontecimento ou até mesmo algo trivial como de quem diabos era o casarão abandonado da esquina. Voce tecia teorias, não tinha vergonha de compartilhamos e os loucos da sua galera debatiam quem tinha a tese menos louca sobre as coisas.

Você pensava. Você TINHA que pensar. E mesmo quando a verdade vinha dando um sopapo na sua imaginação, havia tempo pra você imaginar. Hoje nao tem.

Claro, saudade em pedaços, né? Um mundo bem informado tem muito mais benesses do que contras.

Ainda assim, dá vontade de estar em um novo espaço-tempo onde nao se precisa ter vergonha de imaginar. Onde não é um crime teorizar absurdos - e, talvez por isso, menos vergonhoso admitir que você errou feio. Que não é tão bom assim nas coisas.

Será que dá pra ter auto controle pra conseguei isso só num pedacinho da vida como a literatura?

Avatar de Maura Monteiro

eu amo ler comentários bem elaborados como o seu

Avatar de Aline Valek

Incrível seu comentário! Esse é um ponto que torna a nossa época um bocado sufocante: não temos tempo para pensar, digerir, elaborar uma questão que surge. E o quanto do que a gente consome sequer pode ser considerado "informação", não só por 'desinformar', no sentido de distorcer a realidade, mas no sentido de não ter nada a informar, ser um grande vazio que as pessoas ficam ali semanas discutindo até o assunto saturar e partirmos para o próximo naco de "não-informação". Se tem um pedacinho de vida em que talvez (talvez!!) dê para fazermos isso, nos permitir parar um tempo e imaginar, seja justamente na literatura. Obrigada pela leitura!

Avatar de Abel Sidney

Aline, vamos ao tema suscitado por este trecho citado: "me sinto pouco adaptada ao campo literário, no sentido de Bordieu. Muito perplexa."

Eu também me sinto assim - e, veja bem, na condição de editor, revisor, escritor etc. etc. Mundinho complicado.

Já estou de saída, para me tornar terapeuta. Não, não tenho esperança de "entender melhor" esta turma - a da literatura. A outra, a da pedagogia, pois fui docente militante por anos, era mais modesta, tranquila. Continuo preferindo-os, pois é mais fácil "colocar arte em suas vidas" do que fazer baixar a bola da turma das letras (topetuda, convencida e, às vezes, abusada, sem bons modos mesmo!).

Claro que no Substack convivemos com gente da arte/literatura de boa sintonia. Gente mais pé no chão...

Avatar de Jorge Moraes Barbosa

Uma escrita maravilhosa. Mas muita informação pra minha cabeça. Pelo menos, foi essa experiência lendo tudo até o fim.

Avatar de Camilla Feltrin

Outro discurso que odeio é o das mulheres que afirmam querer a auto-estima de um homem hétero branco cis. Geralmente quem fala isso precisaria começar a ter ALGUMA autoestima (a de uma porta, a de um pedinte, a de uma pomba)

Avatar de pedro rabello

entendo o discurso: se permitir ser mediano em algumas situações é importante para a gente não pirar, porque não dá para ser bom em tudo. posso ser ótimo no meu trabalho, no fazer artístico, mas me permitir ser bem meia-boca na hora de cozinhar, de arrumar a casa, de praticar um esporte… ser mediano para contrabalançar, para não sobrecarregar.

Avatar de Elaine Resende

Gostei! Recebi uma versão um pouco diferente no email e vim aqui conferir se uma IA tinha dominado seu texto kkkkk

Avatar de Bê Vivendo

como alguém que começou a fazer teatro e nunca quis ser uma pessoa mediana esse texto me atingiu em cheio! o teatro questiona isso em nós, mas faz principalmente nos encarar sendo ridículas. e que gostoso!

Avatar de Samuel Frison

Está todo mundo fazendo, às vezes é melhor nada fazer. E pagar as contas, que sejam poucas porque a gente tem mais liberdade. Penso que não é ir ou não ir (não consegui votar) mas a possibilidade de fazer vínculos com outras histórias que sejam até inspiradoras para o que você faz (e muito bem!) aqui. Mas se não for, tudo bem. Na vida cabe pouca coisa (Seneca). :)

Avatar de joão mancha

Ótimo texto! Sempre me deixou encucado esse discurso da meta ser a mediocridade. Acho que a questão é selecionar onde aplicar a mediana. Ser mediano em um trabalho no shopping, como atendente de telemarketing, como caixa de supermercado, enfim, em um trabalho alienante que espera de ti o máximo pra que um rico encha o bolso enquanto exige o mínimo de ti, matando tua alma aos poucos - aí sim acho uma boa ficar na média. Mas isso jamais pode ser uma meta de vida.

Fiquei pensando que não ser mediano não significa ser o/a melhor em alguma parada (até pq isso é difícil de definir, ainda mais quando se fala de arte), mas ser extremamente apaixonado/a por essa parada - e também ter uma curiosidade extrema por tudo que é diferente da gente. Se encher o coração e a cabeça, vai sair da média do mercado, tenho certeza. Paixão é o que a IA não tem e nunca vai ter. Acho que a dedicação do Miyazaki não vem dessa pira individualista neoliberal que diz "eu preciso ser o melhor diretor de animação do mundo para não ficar pra trás no mercado de trabalho", mas sim pelo encanto de construir algo que consiga traduzir essa paixão. Digo isso porque a mais leve exposição à redes sociais podem causar uma confusão entre essas duas formas de estar "fora da média". A gente precisa ficar atento.

Sobre o anti-intelectualismo: tenho visto como as pessoas, mesmo dentro da universidade, tem ficado cada vez mais inseguras com as próprias palavras sem ter a mediação da IA. Poxa, melhor um texto todo fora da ortografia, com erros de digitação, mas cheios de alma do que qualquer coisa que passe por uma revisão do chatgpt.

Avatar de Bruna Kalil Othero

Amei o texto e essa história de ser mediano me lembrou o livro do Pedro Guerra no qual o personagem dá uma de Quincas Borba e humanitismo e cria a filosofia "medianismo". Tudo a ver com suas reflexões

Avatar de Yna Marson

mulher, senti todo seu desconforto daqui hahaha sou atriz e sempre odiei o improviso. me tremia toda, questionava minhas escolhas, queria sair correndo e sumir 😂 mas quando acabava, era também um alívio ter sido péssima e aprendido a me divertir com aquilo. foi divertidíssimo te ler!

Avatar de Bia Montenegro

Fiquei com muitos pensamentos! Eu faço coro ao discurso do mediano porque eu fico de saco cheio das pessoas cheias de dedos para fazer algo além do trabalho,com medo de não ser incrivel. Hobby deveria ser liberado ser ruim, e eu mantenho esse ponto de vista. Porém, quando vi pessoas contestando isso justamente da forma que voce falou, aprofundando no fazer artístico e nas dores do processo, comecei a pensar que isso tudo acontece por causa dessa falta de contexto da Internet. As pessoas pegam um mantra (seja médio!), ficam repetindo à exaustão sem dizer mais nada, e aquilo perde o significado - isso é sobre não se esforçar, ou sobre não ter medo de começar coisas novas? Isso é pra reforçar essa mediocridade do que a gente consome e reproduz, ou pra tirar a pressão esmagadora da performance de todos os aspectos da nossa vida? É o privilégio manifesto ou um pedido de socorro?

E acho que pega mais fundo quando a gente tem o fazer artístico enquanto ofício, porque embora sim, seja bom inicialmente produzir sem medo pra editar depois, existe uma seriedade ali que esse discurso pró ser mediano simplesmente não comporta. Já vi esse vai e volta no notes, pessoas falando 'escreva sem medo!!!! escreva mal!!!' e outras respondendo 'calma lá, tenha autocrítica'. O que mais me pega aqui não é uma posição específica sobre isso, mas essa coisa da repetição do discurso em câmara de eco, slogans repetidos à exaustão, significados completamente esvaziados.

No mais, gostei muito de como você amarrou tudo no texto. Espero que você volte para a aula de improv!

Avatar de Elvis Rodrigues

Eu queria comentar exatamente isso aí mas sempre tem alguém mais inteligente pra expressar o que eu nem sabia ainda. Pelo direito de ser um comentarista de newsletter mediano. XD

Avatar de Marcio Melo

meu inferno pessoal é me jogarem numa aula de improviso

Avatar de Ana Medeiros

Gosto demais dos seus textos e acho que nunca escrevi aqui, mas escrevo pra dizer que esse foi um dos que mais me tocou. Passei anos na análise discutindo essa questão do ser mediano, e minha analista sempre me disse isso que seu professor de improv falou: "Abandonar a necessidade de sermos ótimos é a chance de calar o nosso crítico interior, de sair um pouco de dentro da nossa cabeça". Pra alguém com um superego hipertrofiado, foi um exercício necessário pra parar de me açoitar, de me paralisar, de bloquear outras percepções, e relaxar. Outra questão longamente trabalhada na análise foi o desconforto com o silêncio e a ansiedade de preencher os vazios, de responder depressa, de atender tudo e todos. Nossa essa parte me pegou demais.

Por outro lado, essa reflexão sobre o achatamento da nossa subjetividade, e da substituição da experiência pela informação, é uma outra porrada. Dá pra puxar muitos fios de meada daí.

Muito obrigada por compartilhar tanta coisa boa com a gente!

Avatar de karen oliveira

tenho pensado bastante nesse silêncio antes de responder. sou ansiosa. preciso responder rápido, mas percebo que quem responde rápido nem sempre sou eu. eu me identifico mais com a pessoa que desconfia dessas respostas horas depois, que conversa com elas.