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Simplesmente amei esse texto de tantas maneiras. Tenho muito a sensação (acho que é bem comum) de que, quanto mais estudo, menos sei. E valorizo muito o não-saber, porque é essa curiosidade que impulsiona nossas buscas.

Semana passada viralizou o texto sobre a safra de escritores pretensamente geniais, e fiquei pensando no quanto é entendiante esse meio onde pessoas se incensam e se bastam. Depois de ser proclamado gênio, o que há? Tipo nada, acho. Prefiro ser desgenial e curtir meu work in process (aprendi ontem inclusive que é mais moderno falar de processo do que de progresso)

E o texto dos pretensos gênios e o lugar do crítico era esse https://www1.folha.uol.com.br/amp/ilustrissima/2023/03/fabricacao-de-supostos-genios-desafia-atuacao-dos-criticos.shtml

Beijos e de novo: que textooooo

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To aprendendo a ser uma graduanda depois de vinte anos e tem sido uma jornada gostosa. Vou mandar esse texto pros meus colegas jovens, ele é uma boia no oceano dos começos, que dão medo e que são também maravilhosos. Beijo.

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Estou tentando aprender holandês há 7 anos, o tempo que moro na Holanda, e me identifiquei muito com o seu texto porque sinto que mesmo que eu more aqui por anos e mais anos, eu nunca vou aprender essa língua. Tem o fato também de que os holandeses esperam que você fale a língua, mas quando percebem que seu vocabulário e pronúncia são limitados, mudam logo pro inglês. Então eu já desisti várias vezes de aprender e sempre volto pro mesmo nível. É frustrante.

Mas me interessa muito essa ideia de escrever e falar sobre o lugar de onde a gente vem numa língua diferente da nossa. Porque tem uma certa distância, né?

No livro A Estrangeira da escritora italiana Claudia Durastanti, ela fala que alguns conhecidos dela preferem fazer terapia em inglês em vez de italiano porque permite uma concisão que “dá a eles a impressão de se concentrar num ponto, enquanto sentem que o domínio do italiano pode levá-los a ocultar-se atrás de movimentos barrocos e perífrases, e se torna tudo uma experiência narrativa.”

Eu mesma nunca tentei fazer em outra língua, mas fiquei com isso na cabeça.

Que a gente consiga aprender esses idiomas nada convidativos!

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Você exemplificou muito bem o potencial de criação e descoberta que tem no não-saber. Escrevendo sobre a morte da minha irmã no meu último texto, notei o quanto a sensação do «não-saber-quem-sou-sem-ela» me tem feito reexperimentar o mundo pela primeira vez. A primeira vez sem alguém é como essa primeira vez em um novo idioma — muito se cria e se descobre em si mesmo. Em cada estudante de uma língua — um arqueólogo estudando a própria tumba. O seu oceano do não-saber ressoa o não-entender de Clarice: «Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras.». Obrigado pelo texto!

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Tentei aprender alemão na pandemia. Estudei por 2 anos. Me sentia burra o tempo todo para lembrar as palavras e entender a gramática, os casos, mas ao mesmo tempo uma gênia quando adivinhava uma palavra nova pela sua etimologia. Acho que é a parte que mais gosto no aprendizado de línguas, entender como as palavras se formam, identificar radicais, aprender o que significam no contexto. Inventei desculpas práticas para largar o curso, mas sinto falta do deslumbramento de aprender e da frustração de não saber.

Faz tempo que não aprendo algo novo. Uma arte, uma habilidade. Tenho andado muito tempo em terra firme, meus pés começam a sentir falta da água.

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tem ilhas que viram continentes e essa linha de contato faz limite com mais de um oceano, né ❤️

o que estou aprendendo agora? a escrever um romance.

obrigada por esse texto, tava precisando.

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Tô estudando muito devagar italiano, me senti representada com esse texto :)

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Mar 29Liked by Aline Valek

A ideia da Ilha do Conhecimento vai poupar minha psicóloga de me convencer de que não sou burra.

Toda vez que me aventuro num tema novo eu tenho essa conversa com ela, que ri e diz que não.

Engraçado que quando eu aprendo uma arte manual nova eu consigo ter essa percepção melhor e me perdoar mais dos erros no caminho, acho que tenho uma memória mais completa dos traçados que fiz pra dizer "sei fazer X".

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Mar 28Liked by Aline Valek

Quando morei na Alemanha, era comum eu e meus amigos estrangeiros falarem o quanto nossa personalidade era diferente quando falavamos outra língua. Até a coisa ficar automática, a gente vai testando palavras que combinam com a maneira como nos expressamos.

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Eu poderia repostar esse texto na íntegra, pois é como me sinto aprendendo a pintar. Aprender algo novo nos leva à posição de vulnerabilidade extrema, com pitadas de frustração e respeito ao tempo. Não temos como fugir: ou sabemos ou não sabemos, e precisamos de tempo e paciência (taí, seu texto me inspirou para o próximo).

À propósito, eu amo estudar língua estrangeira, e tenho tantas dificuldades como você. Atualmente estou estudando espanhol, e pretendo emendar francês em seguida. Nas aulas de espanhol costumamos dizer que aprender uma nova língua é reaprender a nossa língua materna, pois sempre estamos encarando estruturas que se parecem em qualquer lugar. É como observar casas e edifícios, a arquitetura muda, mas no fundo, estamos todos buscando um abrigo, um lugar seguro, de preferência com uma janela para algo bonito que nos leve para outro lugar de vez em quando.

No fundo, nosso maior desejo é conseguir colocar pra fora da boca tudo que está passando na nossa cabeça. Daí retornar os olhos pra sala, pensar e voltar pro horizonte. É mais natural quando pensamos na língua nativa, mas não é impossível em outra língua. Não vai demorar, você estará sonhando em alemão.

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Aline, que texto maravilhoso!! Sinto as mesmas sensações que você, ao estar nesse processo de aprender uma nova língua que junta palavras feito vagão de trem. Não se trata somente de vocabulário, mas do que a língua em si nos faz sentir: pertencer de fato no lugar que se vive. Obrigada por esse texto 💛

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Apr 7Liked by Aline Valek

Olá Aline,

O Oceano do Não Saber:

Lembrei-me da luta do filósofo Sócrates, o homem mais sábio de Atenas ( Só sei que nada sei). Kant diz que só acessamos o fenômeno, não a coisa em si; haveria uma contradição implícita entre "conhecimento" , "pensamento logico" e "linguagem"? L. Wittgenstein encarou isso mas seu trabalho não foi de todo conclusivo. A literatura também investiga mundos e os sujeitos-personagens, seus conflitos, contradições, taras e idiossincrasias...e tem o narrador que conta a história, tipo Nick em O Grande Gatsby mas, eis que de repente ele é surpreendido por um acontecimento inesperado, porque também é personagem de uma história maior...Acho que você está apenas experimentando mundos (oceanos) cada vez maiores e mais profundos e está em muito boa companhia...Gostei Bj

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Aline, sou estudante - depois dos 30 - de Estética e Cosmética e me sinto A BURRA MAIS OFICIAL DAS OFICIAIS. Nunca me senti tão burra na vida. Também estou tentando conquistar fluência no inglês e MEU. EU SEI PORTUGUÊS! SOU FORMADA EM JORNALISMO, MEU BEIIIIIIMMMMM. Mas inglês? Modal verbs? Present perfect? SAI DAQUI, me tremo toda. Português com suas 6516516659 regras? Sei. Encarar a grmática inglesa? Fujo. Mas o legal, porque sempre tem o legal, é quando aprendo uma palavra nova e vejo numa série/filme e penso AHHH LÁ, agora sei o que ele/ela tá falando. Ou, como aconteceu semana passada. Uma pessoa da minha família me procurou com a pele descamando, sugeri um creme calmante para peles sensíveis e protetor solar e uma semana depois ela veio me agradecer porque a vermelhidão tinha ido embora e descamação acalmado! É gratificante.

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Eu li esse texto com um sorriso incrédulo de quem se identificou tanto que parece que você transpôs em palavras todos os meus sentimentos que eu não consigo elaborar. O francês é uma língua infinitamente mais facil que o alemão, e tô brigando no B2 para chegar ao C1, mas me sinto patinando o tempo todo, querendo me expressar e tateando em busca das palavras. Tem dias que isso me frustra muito. Especialmente porque meu inglês é (era C1 para C2, mas, ao menos na competência da fala, eu o sinto decaindo conforme aprendo mais francês. E isso dá um pouco de desespero... Mas aí tem dias que acho tudo uma aventura e me empolgo. Tudo é meio relativo, no fim

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Mar 27Liked by Aline Valek

Aline, passei por isso agorinha mesmo. Meu marido conseguiu um emprego na Itália e eu estou aprendendo italiano já morando aqui. Toda vez que estudo, me sinto burra e isso só atrasa o processo. A grande maioria das pessoas não fala inglês, eu tenho me comunicado com uma dúzia de palavras e muita mímica. Eu amei, amei o seu texto.

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Também em português 'arte' teve sentido de "saber, habilidade". Gramática, por muito tempo, era a "arte de falar e escrever bem". Veja que 'arte' e 'artesão', 'artesanato' têm a mesma raiz. O artesão não é aquele que faz arte (esse é o artista), mas quem tem a habilidade de fabricar manualmente objetos.

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