49 Comentários

Simplesmente amei esse texto de tantas maneiras. Tenho muito a sensação (acho que é bem comum) de que, quanto mais estudo, menos sei. E valorizo muito o não-saber, porque é essa curiosidade que impulsiona nossas buscas.

Semana passada viralizou o texto sobre a safra de escritores pretensamente geniais, e fiquei pensando no quanto é entendiante esse meio onde pessoas se incensam e se bastam. Depois de ser proclamado gênio, o que há? Tipo nada, acho. Prefiro ser desgenial e curtir meu work in process (aprendi ontem inclusive que é mais moderno falar de processo do que de progresso)

E o texto dos pretensos gênios e o lugar do crítico era esse https://www1.folha.uol.com.br/amp/ilustrissima/2023/03/fabricacao-de-supostos-genios-desafia-atuacao-dos-criticos.shtml

Beijos e de novo: que textooooo

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Ainda não tinha lido esse texto, obrigada por compartilhar. Ao mesmo tempo que a pessoa que escreveu disse muitas verdades sobre essas conspirações de marketing para fabricar gênios, fico me perguntando onde está a crítica para analisar e dialogar com obras de autores que não são "geniais", ou consagrados no meio literário? Será que críticos não se interessam pelo trabalho de autores que são work in progress? Ou é preciso estar morto para merecer ser olhado pela crítica? Porque mortos sim, é que estaremos completos, sem mais nada a aprender.

Beijos e obrigada por comentar!

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To aprendendo a ser uma graduanda depois de vinte anos e tem sido uma jornada gostosa. Vou mandar esse texto pros meus colegas jovens, ele é uma boia no oceano dos começos, que dão medo e que são também maravilhosos. Beijo.

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Estou tentando aprender holandês há 7 anos, o tempo que moro na Holanda, e me identifiquei muito com o seu texto porque sinto que mesmo que eu more aqui por anos e mais anos, eu nunca vou aprender essa língua. Tem o fato também de que os holandeses esperam que você fale a língua, mas quando percebem que seu vocabulário e pronúncia são limitados, mudam logo pro inglês. Então eu já desisti várias vezes de aprender e sempre volto pro mesmo nível. É frustrante.

Mas me interessa muito essa ideia de escrever e falar sobre o lugar de onde a gente vem numa língua diferente da nossa. Porque tem uma certa distância, né?

No livro A Estrangeira da escritora italiana Claudia Durastanti, ela fala que alguns conhecidos dela preferem fazer terapia em inglês em vez de italiano porque permite uma concisão que “dá a eles a impressão de se concentrar num ponto, enquanto sentem que o domínio do italiano pode levá-los a ocultar-se atrás de movimentos barrocos e perífrases, e se torna tudo uma experiência narrativa.”

Eu mesma nunca tentei fazer em outra língua, mas fiquei com isso na cabeça.

Que a gente consiga aprender esses idiomas nada convidativos!

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Maíra, desculpa chegar do nada no seu comentário. mas só queria dizer que moro há 7 anos na Suécia e passo pela mesma questão que vc passa com o holandês. tenho a impressão que Aline vai desenrolar mais o alemão do que a gente desenrola a língua de onde moramos, pq na Alemanha as pessoas parecem dar aquela forçadinha que faz toda a diferença.

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você diz: "aquela forçadinha".

eu leio: aquela xenofobia básica em que a galera sabe falar inglês mas manda um kein Englisch só pra te forçar a sofrer (been there suffered that).

Que bom que, pra mim, "nem todo Alemão".

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Você exemplificou muito bem o potencial de criação e descoberta que tem no não-saber. Escrevendo sobre a morte da minha irmã no meu último texto, notei o quanto a sensação do «não-saber-quem-sou-sem-ela» me tem feito reexperimentar o mundo pela primeira vez. A primeira vez sem alguém é como essa primeira vez em um novo idioma — muito se cria e se descobre em si mesmo. Em cada estudante de uma língua — um arqueólogo estudando a própria tumba. O seu oceano do não-saber ressoa o não-entender de Clarice: «Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras.». Obrigado pelo texto!

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Tentei aprender alemão na pandemia. Estudei por 2 anos. Me sentia burra o tempo todo para lembrar as palavras e entender a gramática, os casos, mas ao mesmo tempo uma gênia quando adivinhava uma palavra nova pela sua etimologia. Acho que é a parte que mais gosto no aprendizado de línguas, entender como as palavras se formam, identificar radicais, aprender o que significam no contexto. Inventei desculpas práticas para largar o curso, mas sinto falta do deslumbramento de aprender e da frustração de não saber.

Faz tempo que não aprendo algo novo. Uma arte, uma habilidade. Tenho andado muito tempo em terra firme, meus pés começam a sentir falta da água.

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tem ilhas que viram continentes e essa linha de contato faz limite com mais de um oceano, né ❤️

o que estou aprendendo agora? a escrever um romance.

obrigada por esse texto, tava precisando.

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Divirta-se desbravando mais esse oceano ;)

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Tô estudando muito devagar italiano, me senti representada com esse texto :)

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Mar 29, 2023Curtido por Aline Valek

A ideia da Ilha do Conhecimento vai poupar minha psicóloga de me convencer de que não sou burra.

Toda vez que me aventuro num tema novo eu tenho essa conversa com ela, que ri e diz que não.

Engraçado que quando eu aprendo uma arte manual nova eu consigo ter essa percepção melhor e me perdoar mais dos erros no caminho, acho que tenho uma memória mais completa dos traçados que fiz pra dizer "sei fazer X".

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Mar 28, 2023Curtido por Aline Valek

Quando morei na Alemanha, era comum eu e meus amigos estrangeiros falarem o quanto nossa personalidade era diferente quando falavamos outra língua. Até a coisa ficar automática, a gente vai testando palavras que combinam com a maneira como nos expressamos.

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Eu poderia repostar esse texto na íntegra, pois é como me sinto aprendendo a pintar. Aprender algo novo nos leva à posição de vulnerabilidade extrema, com pitadas de frustração e respeito ao tempo. Não temos como fugir: ou sabemos ou não sabemos, e precisamos de tempo e paciência (taí, seu texto me inspirou para o próximo).

À propósito, eu amo estudar língua estrangeira, e tenho tantas dificuldades como você. Atualmente estou estudando espanhol, e pretendo emendar francês em seguida. Nas aulas de espanhol costumamos dizer que aprender uma nova língua é reaprender a nossa língua materna, pois sempre estamos encarando estruturas que se parecem em qualquer lugar. É como observar casas e edifícios, a arquitetura muda, mas no fundo, estamos todos buscando um abrigo, um lugar seguro, de preferência com uma janela para algo bonito que nos leve para outro lugar de vez em quando.

No fundo, nosso maior desejo é conseguir colocar pra fora da boca tudo que está passando na nossa cabeça. Daí retornar os olhos pra sala, pensar e voltar pro horizonte. É mais natural quando pensamos na língua nativa, mas não é impossível em outra língua. Não vai demorar, você estará sonhando em alemão.

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Que bonita essa analogia com arquitetura! Obrigada por comentar, xará <3

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Aline, que texto maravilhoso!! Sinto as mesmas sensações que você, ao estar nesse processo de aprender uma nova língua que junta palavras feito vagão de trem. Não se trata somente de vocabulário, mas do que a língua em si nos faz sentir: pertencer de fato no lugar que se vive. Obrigada por esse texto 💛

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Aliás, que texto maravilhoso o mais recente da sua news! Ri muito com o "sei lá como se escreve"! Habitar essa intersecção de mundos é viver nessa eterna situação de sei lá, né? rs

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Aah que bom que gostou e se divertiu 💛

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Adorei essa parte:

"Um amigo que aprendeu a falar português muito bem me conta que aprender outro idioma é o processo de construir uma nova personalidade para si. "A linguagem é uma tecnologia de construir quem você é"."

Meu idioma natal é o nosso português maravilhoso. Mas vivo no Uruguai e por isso uso muito o espanhol (que, by the way, aprendi a falar de verdade quando me mudei pra cá). E trabalho muito com o inglês. Sinto que com cada um desses três idiomas sou uma pessoa levemente diferente; meu tom de voz muda e algo da minha personalidade também. Gostei muito de pensar sobre isso, sobre quem sou com cada idioma que uso, e porque.

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Jul 14, 2023Curtido por Aline Valek

Esse texto tava desde março na minha caixa de email e que bom que eu o li hj. Pssei a semana angustiada as voltas com o que eu não sei e com que acho que deveria tá sabendo há tempos... enfim, há mto chão pela frente!

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Olá Aline,

O Oceano do Não Saber:

Lembrei-me da luta do filósofo Sócrates, o homem mais sábio de Atenas ( Só sei que nada sei). Kant diz que só acessamos o fenômeno, não a coisa em si; haveria uma contradição implícita entre "conhecimento" , "pensamento logico" e "linguagem"? L. Wittgenstein encarou isso mas seu trabalho não foi de todo conclusivo. A literatura também investiga mundos e os sujeitos-personagens, seus conflitos, contradições, taras e idiossincrasias...e tem o narrador que conta a história, tipo Nick em O Grande Gatsby mas, eis que de repente ele é surpreendido por um acontecimento inesperado, porque também é personagem de uma história maior...Acho que você está apenas experimentando mundos (oceanos) cada vez maiores e mais profundos e está em muito boa companhia...Gostei Bj

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Aline, que lindo isso.

Essa parte me pegou muitíssimo: "Um amigo que aprendeu a falar português muito bem me conta que aprender outro idioma é o processo de construir uma nova personalidade para si. "A linguagem é uma tecnologia de construir quem você é"." Porque eu amo estudar línguas, acho as nuances de cada uma belíssimas. Sempre me lembro de um TED famoso sobre linguagem que mostra como pensamos de formas diferentes conforme a língua que falamos, é esse aqui: https://youtu.be/RKK7wGAYP6k

Também fiquei pensando que sempre me interessei muito por música, mas sempre rejeitei a ideia de aprender algum instrumento por um certo medo de navegar o não-saber daquilo. Porque confortável a gente não pode dizer que é, né? Mas é divertido! (Eu tô querendo fazer alguma aula de música, talvez pra aprender bateria)

Beijo!

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Aline, sou estudante - depois dos 30 - de Estética e Cosmética e me sinto A BURRA MAIS OFICIAL DAS OFICIAIS. Nunca me senti tão burra na vida. Também estou tentando conquistar fluência no inglês e MEU. EU SEI PORTUGUÊS! SOU FORMADA EM JORNALISMO, MEU BEIIIIIIMMMMM. Mas inglês? Modal verbs? Present perfect? SAI DAQUI, me tremo toda. Português com suas 6516516659 regras? Sei. Encarar a grmática inglesa? Fujo. Mas o legal, porque sempre tem o legal, é quando aprendo uma palavra nova e vejo numa série/filme e penso AHHH LÁ, agora sei o que ele/ela tá falando. Ou, como aconteceu semana passada. Uma pessoa da minha família me procurou com a pele descamando, sugeri um creme calmante para peles sensíveis e protetor solar e uma semana depois ela veio me agradecer porque a vermelhidão tinha ido embora e descamação acalmado! É gratificante.

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